Friday, October 28, 2011

Retiro em Sintra nos dias 2, 3 e 4 de Dezembro

Yoga e a Feminilidade


Nos últimos meses, estive ensinando Yoga em países culturalmente diferentes (Portugal, Noruega, Tailândia e Estados Unidos), mas em todos eles o que me chamou a atenção foi o número de alunas que estavam com dificuldades para engravidar. Eram mulheres entre 30 e 40 anos, todas bem-educadas, bem-sucedidas e sem nenhum problema aparente ou diagnosticado.

Algumas estavam com medo de praticar, de usar seus corpos até que uma me contou que quando ovulava nem se levantava da cama. Todas tentaram diferentes tratamentos naturais de fertilidade, como acupuntura, ervas, dietas etc.
Enxergo que nós mulheres hoje vivemos com um esforço mental, com obrigações, objetivos e "necessidades" materiais. Dessa forma nossa energia se volta para fora e perdemos nossa conexão interna e a intuição, que é muito poderosa.

Passamos um longo período, aproximadamente dos 20 aos 30 anos, com um estilo de vida demasiado masculino, focado no trabalho. Isso sem falar no uso regular de remédios contraceptivos, regimes exagerados, uma vida de pouca gordura no corpo.

Na época de nossos pais, primeiro se encontrava um parceiro, depois vinha o casamento e os filhos e assim a vida começava, em busca de conforto e paz. Hoje, as mulheres primeiro querem ganhar dinheiro suficiente para dar ao bebê tudo que ele "precisa": uma casa ideal, carro grande, quarto decorado e brinquedos eletrônicos. O marido passou a ser opcional, já que a mulher se preocupa em providenciar todas as necessidades e hoje existe fertilização in vitro. Tiramos do homem parte de seu poder: o de provedor e protector. Tomamos mais essas responsabilidades para nós, é Kali Yuga em sua forma mais pura.

Ao contrário do que as mulheres possam pensar, um corpo saudável deve ser activo fisicamente. A mulher deve praticar, caminhar, estar perto da natureza, manter uma alimentação saudável e o mais orgânica possível. A prática de Yoga, além de acalmar a mente ansiosa, ajuda a regular os hormônios e a manter o corpo livre de toxinas.
A prática também nos ajuda na conexão com nossa natureza, nos livramos um pouco de todas as exigências da sociedade e medos que normalmente chegamantes da maternidade. O Yoga e a meditação ajudam a equilibrar o corpo como um todo, tirando um pouco a energia da mente e espalhando pelo resto de nosso ser,nos permitindo enxergar nossas reais necessidades e ouvir nossos desejos verdadeiros.
Lea Perfetti nasceu e cresceu numa pacata cidade de Up State, NY. Foi atleta de competição desde muito cedo. Começou a praticar Yoga em 2001, quando estudava Biologia e Estudos da Mulher na universidade de Syracuse, Nova York. Estudou em Mysore com Pattabhi Jois e R. Sharath de 2003 até 2008. Lea viveu cinco anos na Espanha, tendo ensinado em várias escolas. Atualmente dá aulas em Nova York, Portugal, Noruega, Tailândia e Espanha. Lea é apaixonada por maternidade, alimentação orgânica e natureza e tem dedicado seus últimos anos ao estudo da relação entre a prática do Yoga e a maternidade, assim como no desenvolvimento da intuição feminina, assentes num estilo de vida saudável, conectado com os elementos e com a natureza.

Friday, October 29, 2010

1% Teoria

Uma lição de Paz


Quando vivia em Menorca, num dado momento, estava a ter alguma dificuldade em relacionar-me com uma pessoa. A pessoa em questão é muito especial e tinha uma personalidade extremamente difícil, não sei se com toda a gente se relacionava da mesma forma, mas comigo, e naquele momento particular, estava a ser muito "tenaz". É fácil falar em amor quando se está apaixonado, é fácil falar em alegria quando tudo na vida corre bem. O difícil e o verdadeiro desafio é actuar com amor e alegria quando temos de conviver e relacionar-nos com pessoas que estão momentânea ou permanentemente conectadas com energias negativas, como o egoísmo, inveja, mentira etc. é fácil contaminar-nos por essas energias. Quando me deparo com situações que me tiram do centro e quando não consigo resolve-las, muitas vezes eu abro um livro "ao calhas"... normalmente o Gita ou os Yoga Sutras para tentar encontrar uma resposta, uma direcção, uma solução. Estava mesmo a "fritar"... sem conseguir dormir, mas a observar como os pensamentos destrutivo e de raiva em relação à ela despertavam emoções tão negativas em mim... a violência sempre volta... não adianta cultivar sentimentos nem pensamentos violentos, afinal... eles existem dentro de nós, e quando os reconhecemos há que agir, e cultivar os sentimentos opostos, essa é a prescrição de Patanjali.

abri então os Yoga sutras... normalmente me concentro e abro ao calhas... e fiquei de boca aberta com a exactidão:

Ahimsapratisthayam tatsamnidhau vairatyagah

ahimsa: não violência; pratisthayam: estar firmemente estabelecido; tatsamnidhau: à sua volta; vaira: hostilidade; tyagah: abandono

Quando estamos firmemente estabelecidos em Ahimsa há abandono total de hostilidade e de tudo que a rodeia.

Nesse mesmo livro há um comentário, e o autor indica que Ahimsa é muito difícil, dando o exemplo de Gandhi, que apesar de praticar Ahimsa, foi assassinado. E depois disso ele dá o exemplo do próprio Patanjali, diz-se que Patanjali estava totalmente assente em Ahimsa, e que os animais, inclusive Tigres, conviviam no seu Ashram, nenhum animal tinha medo de Patanjali.

fui dormir... a mensagem foi bem clara.
Na manhã seguinte, fomos dar um passeio na nossa praia "privativa", não é uma praia da areia mas uma pequena bahia rodeada por um pier de madeira. Ao chegar no nosso local habitual e assentar as nossas toalhas, eu vejo um Polvo na água.

A água em M enorca é cristalina, não havia vento nesse dia e a superfície da água estava um verdadeiro espelho. Apanhei a maquina de fotos à prova da água, e disparei algumas fotos (sempre de fora da água). entretanto desci da plataforma de madeira e coloquei os pés n'água, e afundei a maquina com a esperança de aproximar a imagem. O Polvo estabeleceu contacto visual comigo, e em vez de fugir, se aproximou... e eu fiquei espantado, meio com medo até, era um Polvo grande, e estava pigmentado de vermelho vivo. Maior espanto ainda, foi quando ele nadou na minha direcção, sem medo, mesmo aos meus pés, subiu a pedra, estendeu um dos 8 tentáculos fora da água e me tocou na mão, afundou, e foi embora. Eu, as crianças e a minha mulher ficamos sem palavras.

Para os que não conhecem os ensinamentos de Patanjali; Patanjali compilou os Yoga Sutras, 196 aforismos sobre o Yoga que formam a base filosófica e prática do Ashtanga Yoga ou Yoga em 8 partes. O Yoga de Patanjali descreve 8 passos essenciais que devem ser seguidos até atingir-se a auto-realização.

Os oito passos são os seguintes: Yamah (ética social) Niyamah (ética pessoal) Asana (postura) Pranayama (Exercícios respiratórios) Pratiahara (interiorização dos sentidos) Dharana (concentração) Dhyana (meditação) Samadhi (Auto-Realização).


Yamah e Niyama são compostos por 5 códigos éticos cada um:

Yamah (ética social): Ahimsa (não violência) Satya (verdade) Asteya (não roubar) Bramhamacharia (contenção da energia sexual) Aparigraha (desapego)
Niyamah (ética pessoal) Saucha (purificação/limpeza) Santosha (contentamento) Tapas (austeridade) Svadhiaya (estudo) Svara-pranidhana (auto-entrega)

A exactidão e sincronicidade dos eventos até hoje me surpreendem, foi uma grande lição, Octopus (oito-membros), e estendeu-me o tentáculo da "Yamah" nunca mais vou comer um Polvo na minha vida... isso é seguro... e para aplicar o segundo código ético; Verdade; essa é uma das fotos que tirei do Polvo avatar.

Practice... Practice... All Is Coming...

Tarik